sexta-feira, 26 de maio de 2017

|| Conversas de almofada #2

Gostava de amar só um bocadinho.
Há tanta gente que ama só um bocadinho!
Quando se ama só um bocadinho aprende-se a viver com a falta, a ausência torna-se parte da história.

Mas eu não te sei amar um bocadinho. Perdoa-me a falha.

Onde há um abraço, demora-te.
Mas eu não posso demorar-me no teu, porque me falta a capacidade de suster o ar só para te dar um bocadinho do que sou.
Não posso apertar-te a mão com força, porque tenho medo de me colocar nela inteira.
Não te posso beijar profundamente, porque corro o risco de suspirar o meu coração inteiro pela boca.
Tenho que amar só um bocadinho para não te sufocar.

Hoje não entraste pela porta dentro para escovar os dentes ou tirar as lentes.
Hoje não te acariciei a barba e sorri como uma miúda feliz como sempre fiz.
Hoje não pude encostar os meus pés nos teus a meio da noite, depois do sonho mau.

Não sou uma boa escolha todos os dias. Perdoa-me a falha.

O Salvador disse ao mundo que não se ama sozinho.
Mas talvez, devagarinho, possas aprender que não se ama só um bocadinho.











quarta-feira, 24 de maio de 2017

|| A (des)graça dos Globos de Ouro 2017

Se tivesse que intitular os Globos de Ouro deste ano, era este o título escolhido.
Minha gente...  O que se passou este ano??

Eu não percebo um caroço de moda, mas percebo muito de bom senso e foi muito a falta dele que desfilou naquela red carpet.
Inicialmente pensei fazer um top maus, mas depois desisti da ideia porque dava muito trabalho vasculhar alguma coisa boa dentro daquilo que já era tão mau.




Este ano reinaram as transparências. Os estilistas tiveram em conta o cheiro a cavalo, e vai daí criaram isto para ajudar no arejamento. 


Se ficasse por aqui diria que nem era mau de todo mas... À parte das transparências, houve quem tenha optado por se embrulhar em cortinados e "vamozimbora prá festa comer e boer!".



Ora bem... Não tá mal, mas assim de repente parece que a moça saiu num instante das gravações do Game of Thrones para ir para os Globos de Ouro. 




Débora, miga, o que se passou contigo este ano? Tu que até és um avião... Parece que te vestiram um farrapo transparente todo cuspido de branco com a técnica do "respingos com escova de dentes". Vê-se as cuecas, nem tudo é mau.


Os gajos do "Querido, mudei a casa" devem andar à procura do papel de parede. Alguém que avise a senhora, faxavore.




Que é aquela merda que sai do pescoço e acaba no ventre? Será que é algum fetiche BDSM?




Que coisinha mais insípida, jesus... Isto é um misto de transparência com cortinados, não se percebe muito bem o que se passou na cabeça desta rapariga. Mas pronto, mau gosto não se discute.


Ai Maria, Mariazinha... Não precisavas de ter depenado a tua franga de estimação! Podias ter vindo cá a casa que eu deixava-te ver os Globos na minha televisão (até rimou).



Ok, vamos perdoar isto. São só as hormonas de alguém que foi mãe à relativamente pouco tempo (?) e ainda está com o hábito de usar robe o dia todo.


Ao ver isto só me ocorre uma música... "Que Deus me perdooooe". Ele perdoa-te, Joana, ele perdoa-te. Não te esqueças é de pagar à tua mãe!


Bem, temos de ver o lado positivo disto. Se o Jackie Chan precisar de um substituto é só deslocar-se a Portugal. 


Estas figurantes saíram diretamente das gravações do filme "Marie Antoinette". Olho para elas e só me ocorre um diálogo do género "Ai miga, aqui é muito melhor, aqui eles não têm ceroulas!


Ai jesus... Eu acho que ela devia fazer como o pai: dedicar-se aos livros (só!).


Ai Anita, Anita.. Este ano correu-te mal! Estavas com pressa e resolveste levar o avental por cima da lingerie. A Nova Gente promete não mostrar isto a ninguém, nem na tua tertúlia cor-de-pindérica.


Ana Rita, Ana Rita... Quem te disse que ficas bem com esse cabelo rosa desbotado mentiu-te, assim só pareces a Cruela De Vil após 6 meses de Nutribalance.


Se algum dia pensarem em dar continuidade ao filme "O Diabo veste Prada" já têm aqui a substituta para a Meryl Streep e o restante elenco. Botem "O Diabo passou-se" e 'tá feito.


Paz à sua alma, é tudo o que tenho a dizer.


Cortinados parte 1


Cortinados parte 2



"Bora fazer uma homenagem à avó?"
"Bora! Qual o tema deste ano?"
"Cortinados."


O drama, a tragédia, o horror.


"Pai, porque é que me vestiu de algodão doce com topping de chocolate?"
"Foi para combinar com o meu ar meio chic meio budista, assim mostramos ao mundo que somos diferentes e ganho umas páginas na nova gente também que o negócio no salão está fraco."




O que importa é ter saudinha. 














sábado, 29 de abril de 2017

|| Summer: top fatos de banho plus size

Olá meus amores!!
Hoje deixei os textos lamechas de parte e vim falar convosco sobre o verão.
Ah... O verão... Essa estação tão amada por todos nós... Dias compridos, calor, sol, praia, caracóis, mariscada, gelados, ok, já chega se não vou começar aqui a salivar.

Este ano já fomos presenteados com dias bastante solarengos com muito calor, e, claro, como boa amante de praia que sou, este ano já peguei no meu rabinho e refastelei-o na areia (que a vida de estudante quando não tem trabalhos é difícil pra cacete...cof cof).
Ora praia, quando se fala de praia automaticamente pensamos em expor o corpitxo com menos trajes e há mulheres que ficam reticentes com isso porque "ah tenho demasiada celulite" ou "ah porque estou gorda" ou "ah porque não encontro fatos de banho/biquinis que me deixem confortável". Errado. Errado. Mil vezes errado.
Apesar de ainda haver muito a ser feito, a verdade é que a indústria da moda tem, cada vez mais, despertado para a realidade de muitas mulheres, e portanto, começam a surgir várias opções para todo o tipo de corpos, basta terem um pouco de paciência e saberem procurar nos lugares certos.

Hoje, e na sequência deste assunto, trago-vos as minhas sugestões de fatos de banho que eu própria já coloquei na minha lista de aquisições. Quem já me conhece sabe o quanto gosto da La Redoute,
é uma loja online que eu confio totalmente, é super cómodo e fácil de encomendar, as encomendas podem ser feitas ao domicílio ou podem ser levantadas nos pontos de entrega que a própria La Redoute disponibiliza, e caso seja necessário trocar algum produto é igualmente fácil.
É, sem dúvida, a minha loja online de eleição.
Posto isto, vamos então às minhas sugestões (apaixonantes, diga-se de passagem) dos fatos de banho que encontrei pela La Redoute.


Castaluna - 38,99€



Castaluna - 44,99€



Castaluna - 35,99€


Castaluna - 38,99€


Como vêm, o que não faltam são boas opções de modelitos que fiquem bem e que nos deixem confortáveis e disponíveis para aproveitarmos o sol e a praia. Mas, independentemente do corpo que tu tiveres, sê, acima de tudo, feliz. 

Beijinho









terça-feira, 18 de abril de 2017

|| Nunca te esqueças

Hey, psiu, senta aqui, precisamos de conversar.

Não tremas (nem temas), respira fundo e escuta-me.
Lembras-te do que me prometeste há quase 3 anos atrás? Fizemos um pacto, e hoje estou aqui para to relembrar e fazer honra-lo.
Por entre lágrimas, gritos e prantos tu juraste vencer os teus medos, prometeste cuidar de ti como uma flor que és, honrar o teu coração acima de todas as coisas, respeitar os outros mas a ti acima de tudo.
Prometeste acordar todos os dias grata pela nova oportunidade que a vida te deu de respirares, prometeste tirar todos os teus sonhos do bolso e fazer com que os teus dias valessem a pena, prometeste descobrir as capacidades que desconhecias e encher de amor as ruas do teu caminho.
Prometeste adormecer todos os dias com a certeza de que deste sempre o teu melhor, a ti e aos outros, prometeste encher o teu coração com o que valesse a pena e reciclar quem nunca fez nada para te merecer.
Prometeste que nunca mais aceitarias migalhas de ninguém nem corações pela metade, que ninguém mais te puxaria o tapete debaixo dos pés, prometeste que mais nada nem ninguém iria ser capaz de parar o teu mundo e fazer-te chorar.
Prometeste que nunca irias aceitar tudo de olhos fechados.
Prometeste que mais ninguém iria ditar o que és e quem deverias ser.
Tu prometeste-te. Lembras-te?

Ambas sabemos que és frágil. A vida moldou-te ao longo do tempo e fez de ti uma mulher forte e resiliente mas com fragilidades peculiares.
Eu sei que tens vergonha delas e que muita gente já as usou como arma de arremesso para te ferir ou para ter de ti o que queriam. No mundo também há gente má, mas depois há também aquela gente que por não assumirem as suas próprias falhas e fragilidades, culpam os outros pelos erros que elas próprias cometem. Tu sabes isso.
Esqueceste-te de que o medo de perder nunca irá impedir que percas de facto. Então, porquê continuar a alimenta-lo?
Eu sei que quando amas, amas por inteiro, tu não sabes ser diferente. És feita de amor. Mas poucas são as pessoas que entendem esse amor que transpiras, esse amor que compreende mas que não aceita tudo, esse amor que cuida e embala, que abraça e que beija sem esperas ou demoras, que ensina e que também cura.
Nunca acredites na sorte. Sorte tem o mundo por te ter.
Tu amas tanto as pessoas que agarras a mão delas com força, não as deixas cair por nada, carrega-las nos teus ombros se preciso for, mostras-lhes o mundo daí onde estás à espera que sintam no peito o mesmo fogo, o mesmo brio que tu, que compreendam o que é certo e errado, que aceitem quando tens razão, que te ouçam os conselhos pela experiência que as dores te deram. Mas nada disso adianta, e isso não quer dizer que o teu amor não seja o suficiente, que tu não sejas o suficiente. Como é que devolves a visão a quem não quer ver?

Deixa ir.
Deixa ir quem não te respeita, quem não sabe os limites do aceitável.
Deixa ir quem traz muito amor na boca e muito pouco nos gestos.
Deixa ir quem não te acha suficiente e mendiga noutras portas.
Deixa ir quem usa as tuas fragilidades para se desculpar.
Deixa ir quem não compreende as tuas mágoas.
Deixa ir quem te culpa pelos seus próprios erros e falta de limites.
Deixa ir quem te deixa ficar sozinha com as tuas dúvidas.
Deixa ir quem nada faz para te provar que estás errada.
Deixa ir quem (na verdade) não quer ficar.

Tu és linda, a mulher mais incrível que o mundo pode ter, porque mesmo depois de tudo o que tiveste de suportar sozinha, ainda permites que o teu coração fale sempre mais alto, e quando dás, dás com todo o amor que tens. 
Não te culpes por nem sempre conseguires chegar ao fundo do coração dos outros, a culpa não é tua. Eu sei que dificilmente desistes, que és detentora de uma teimosia que já salvou mais do que magoou, que o amor que carregas no peito é a arma infalível em que (ainda) acreditas, mas haverão momentos em que terás de te render, que terás de parar de dar o corpo às balas, de teres que provar quando tens razão.
Tu és incrível, a melhor amiga que toda a gente quer ter, o amor da vida de alguém que será capaz de tudo por ti, a mãe mais fixe e carinhosa que os teus filhos poderão ter, a filha amorosa e dedicada de uns pais que nunca o souberam ser.
Tu és o melhor abraço, o melhor sorriso, o melhor beijo de alguém, tu és melodia, és ar fresco, és liberdade, és recomeço, és o lugar para onde se quer sempre voltar.

Tu és uma história que valerá sempre a pena ser vivida, um momento que será sempre o suficiente, o suficiente para ser eternizado.

Nunca te esqueças disto.



Ps. A tua razão.











terça-feira, 11 de abril de 2017

|| Conversas de almofada

Estou ao teu lado mas é como se não estivesse. Não por te amar menos, que isso é coisa impossível de ser, mas hoje estou ferida.
"É parvoíce" dirias tu se me visses chorar agora.
Aprende que nenhuma mágoa, por mais pequena que seja, é parvoíce, porque cada coração tem a sua própria forma de ser e sentir, só temos que aceitar e tentar compreender. O amor também é isto, sabes?

"Que falta de respeito". A mim o que me falta é a noção do tempo porque todos os minutos em frente ao espelho são movidos pelo respeito e pelo amor que te tenho.

Eu só quis ficar bonita pra ti.

"Eu estava a brincar contigo...". Não, não estavas a brincar. Eu vi nos teus olhos. Já os conheço há tempo que me baste para saber.

"Ou isso ou estás com a consciência pesada". Custa-te tanto assumir quando estás mal... É mais fácil tentar encontrar culpas no outro.

"Estás toda chateada". Não, só estou triste e magoada. Só estou a sentir-me desvalorizada.

Mas para ti é pouco para justificar a minha expressão fechada.

O James está no teu tablet a cantar-me " Cavalier". É o único que me ouve e não sabe.

Respiras fundo no meio do teu sono pesado, como se nada te incomodasse, como se estivesse tudo bem. "Os homens são todos iguais", digo baixinho, mas depois olho para trás e lembro-me que não.

Viro-me de costas para ti e aninho-me. Só queria um pedido de desculpas.
Não que isso apague o facto de ter querido tanto sairmos para um gelado e conversarmos um bocadinho, como tanto gostamos de fazer, e afinal ter acabado a noite sentada num carro a sentir-me uma merda e ter que segurar os meus olhos entupidos de água enquanto fazias scroll no teu Facebook.

Um pedido de desculpas é uma janela que se abre de frente para o "felizes para sempre".

Espero que sonhes com coisas lindas com que valha a pena ser-se feliz, que possas voar longe e ver as maravilhas de um sono que jamais se perde comigo. Amanhã quando acordares será apenas mais um dia normal pra ti, nada se passou, tudo estará no mesmo lugar. Bendito reset.

Vou fechar os olhos com força. Talvez o sono me venha de mão dada com a exaustão e me traga na algibeira um abraço e os olhos me fiquem menos tristes.

Sonhos felizes.






quarta-feira, 22 de março de 2017

|| És-me poesia

Ah Céline, Céline... How does a moment last forever?
Eu sei.
É no beijo dele, no entrelaçar das nossas mãos, no cruzar do nosso olhar.
É no riso de uma piada parva ou de uma lembrança terna.
É no suspiro apaixonado do "ai rapariga se eu não gostasse tanto de ti..." de cada vez que eu tento meter-lhe nojo.
É na palmada no rabo que eu lhe dou sempre que ele se levanta ou se senta ao meu lado e na palmada na perna que ele me dá de cada vez que vamos juntos no carro.
É no abraço apertado que quase me estrafega toda e que só ele me sabe dar.
É no meu encostar de cabeça no ombro dele.
É na festinha com o dedo que ele me faz no rosto e eu nos lábios dele.
É no beijo no rosto que lhe dou devagarinho sempre que acordo a meio da noite e no braço com que ele me protege sempre que me mexo ao dormir.

Pudesse eu parar o tempo nesses momentos... e perpetuava-nos para sempre.

Se me pedissem para te definir numa só palavra, eu diria que és poesia.
É em ti que escrevo as minhas melhores prosas, que gravo os diálogos mais maravilhosos e soletro as rimas de um amor maior que não me cabe no coração que trago na boca.
É contigo que se frustra todo um dicionário de língua portuguesa e que se dá sentido aos gestos de uma linguagem que deveria ser universal.

És a poesia dos meus versos soltos, do meu conto de fadas, a poesia onde choro os fados que a vida às vezes me canta.
És a poesia dos meus sonhos, das histórias do "viveram felizes para sempre...", és a poesia que invento todos os dias da nossa vida para te fazer feliz.
És a poesia que trago junto ao peito, a poesia que me faz querer tirar os pés do chão e dançar, a poesia que me transporta para os dias lindos que tivemos e alimenta a alegria dos dias que ainda estão por vir.

Até nos nossos momentos maus, aqueles que nos põem à prova e nos mostram que até um amor forte tem as suas vírgulas, és a poesia onde Deus escreve nas minhas linhas tortas.
E quando a minha inspiração se dilui no lago dos meus medos onde, tantas vezes, mergulho de cabeça, vens tu, poesia inteira do meu coração, devolver o ar aos meus sonhos e citar-me os versos de quem sou.

És a poesia que me desperta dos meus sonhos maus, que me destrói as barreiras teimosas, que me prova a diferença entre a verdade e a mentira e que me ampara sempre nas quedas livres.
És a poesia do sol de cada dia novo que nasce e das estrelas que a noite traz para enaltecer o céu escuro, és a poesia que me inspira todos os dias, a poesia que me instiga sem limites e que me desamarra os medos.
És a poesia de um rio que me leva até ao mar, a poesia que pinta a minha primavera deixando-a sempre em flor, a poesia das minhas melodias que ainda estão por inventar.
És a poesia da minha história com um final feliz.

Por mais dias, semanas, meses ou anos que passem, que as minhas linhas sejam sempre suficientes onde possas ser tudo e mais um pouco, inclusive feliz.

E como é que uma história nunca acaba?
Quando a poesia de dois corações se transforma numa música capaz de os fazer ficar, mesmo quando tiverem todas as razões para partirem.

Que a nossa história seja assim, poesia de um amor bonito e puro, para sempre.




terça-feira, 14 de março de 2017

Fala sério || Antes dos meus filhos estou eu

Eu nunca fui muito de falar sobre figuras públicas por aqui, não por algum motivo em especial, simplesmente ainda não tinha surgido oportunidade. Mas hoje inicio a rubrica "Fala Sério" trazendo o nome do Gustavo Santos à baila.
Toda a gente conhece o Gustavo Santos, uns adoram-no, outros odeiam-no, a vida não está para agradar a gregos e a troianos. Pessoalmente, gosto imenso do Gustavo, ele é dos meus, diz as coisas com a maior naturalidade e frontalidade do mundo, e o melhor de tudo é que só come quem quer.
Hoje, ao passar os olhos pelo meu feed do Facebook, deparo-me com uma pequena entrevista (aqui) do Gustavo onde ele fala sobre a paternidade e onde diz umas coisas bastante certeiras (escandalosas na visão de muitos) sobre o ser-se mãe. Claro está que tive que espreitar os comentários porque eu já sabia que as indignadas iriam soltar a franga, e não me enganei.

A dada altura o Gustavo diz algo como "Foi o meu cão que me ensinou a ser pai."
Duas aluadas soltaram logo a sua franga irrequieta. Um cão a ensinar a ser pai? Essa agora! Os cães têm quatro patas, nascem com os olhos fechados, babam-se e cheiram mal da boca, não falam e têm uma inteligência do tamanho de uma ervilha! Como é que alguém pode achar-se pai de uma criatura deste tipo? Jamais!
Não sei porque é que por cá não se faz a mesma coisa que os chinocas fazem aos cães lá no pardieiro deles! Era ver muita gentinha a correr para os restaurantes à procura de sushi de cão para experimentar.
O Sr. Marcelo que reformule a lei de que os animais são seres com sentimentos, tal como os seres humanos. Andamos todos equivocados. Deus me livre ser equiparada a um cão!

Mas a melhor parte nem foi esta, a melhor parte, para mim, foi quando o (grande) Gustavo Santos disse "O filho jamais poderá ser a coisa mais importante da vida de uma mãe.
Uuiii, o que foi ele dizer...
De várias frangas (desfrangalhadas), houve uma que me saltou à vista quando iniciou a destilação da sua estupidez crónica com a boca do "ai o cão é que te ensinou a ser pai, ó valha-me deus...". A partir desse comentário foi um desfrangalhanço do caroço, ao ponto da Sra. dizer que "isto de humanizar animais e animalizar pessoas é fabuloso". 
Será que a Sra. é Jeová? Fiquei com essa impressão.
Mas depois de ler mais uns quantos comentários dela percebi, nitidamente, que é só estúpida e deve achar que na árvore genealógica da vida o homem é um ser celestial e que não pode ser igualado a animal nenhum (fico a pensar que os meus ossos podem ser pedaços de céu e as minhas mamas de tão fofas que são, ao invés de chicha, são duas nuvens que Deus me deu).

Ai Gustavo Gustavo... És um incompreendido. Mas se um dia, porventura, te deparares aqui com o meu pardieirozito e leres isto, quero que saibas que, não só te entendo, como subscrevo o que disseste.
Eu tenho dois filhos lindos, maravilhosos, cheios de saúde, e sou muito grata à vida por ser a mãe deles. Mas eles não são a coisa mais importante da minha vida.
Eles são importantes sim, na medida em que sou a mãe deles e é da minha responsabilidade amá-los, educa-los, prepara-los para o mundo, incentiva-los a fazerem a diferença e deixarem a sua marca, os meus filhos são pedaços de mim que serão perpetuados no tempo e o meu objetivo é que eles sejam a extensão do melhor de mim.
Os filhos são pérolas preciosas na vida de qualquer mãe, mas não são pérolas para usar no pescoço. Os filhos são a sementeira do amor no mundo, porque a verdade é esta: os filhos não são nossos, são do (e para o) mundo.

Um filho que seja a coisa mais importante da vida da sua mãe é um filho perdido, é um ser condenado aos caprichos, vontades e desejos de uma mulher sem amor próprio que se esqueceu (ou nem existiu!) de si, que o diga o meu ex-marido.
"Homens e mulheres há muitos, os filhos ficam para sempre", foi outro dos comentários que mais li sobre a entrevista do Gustavo. Quem dera às mães que perderam os seus filhos que assim fosse... Filhos são para sempre, mas isso não implica que fiquem para sempre do nosso lado.

Amar não equivale possuir.
Eu não sou dona dos meus filhos. Sou responsável sim por lhes mostrar caminhos possíveis, mas a escolha será sempre deles, porque a minha limitação permite-me aceitar que eu não controlo tudo.
Um dia eu sei que eles vão seguir caminho, vão desbravar sonhos, vão conquistar o seu lugar no mundo, e eu… eu serei a mesma mulher, cheia de vida e com sonhos na algibeira, com um coração cheio e braços abertos para os acolher sempre que eles precisarem de pousar, sempre que eles precisarem de que eu lhes aguce a memória e os relembre que há um mundo à espera do amor deles, o mesmo amor com que foram feitos.

Quantos divórcios, quantas mágoas, quantos traumas, quantas chatices não seriam evitadas se as mães parassem de desistir de viver para verem o mundo pelos olhos dos filhos. É como se com o nascer de um filho a vida se reduzisse a um tamanho somente visível por uns binóculos, como se um filho nascesse com a sentença registada de ter de alimentar o sentido da existência da sua mãe.

Viver para (e pelos) filhos dá sempre merda, não importa o prazo.
Quantos filhos ficaram parados, presos no tempo porque as mães não os deixaram experimentar, não os deixaram voar, testar os seus próprios limites. 
Quantos filhos não cresceram para lá dos horizontes das suas mães.
Quantos filhos limitados e dependentes de um amor materno andam por aí a cobrar esse mesmo amor (obsessivo) às suas namoradas e esposas. 

Antes dos meus filhos estou (e estarei sempre) eu porque se eu não estiver bem é impossível proporcionar bem-estar e equilíbrio aos meus filhos, é impossível fazê-los felizes se eu não for feliz também. Ninguém consegue dar o que não tem, basicamente, é como construir uma casa em cima de areia. 

Que Deus conserve aquilo que sou e me permita deixar ser tudo aquilo que os meus filhos quiserem ser, inclusive livres.